14 Bis: Quando a Música Vem em Primeiro Lugar
Uma das coisas que sempre admirei no 14 Bis é que eles parecem ter colocado a música acima de tudo.
Enquanto muitos artistas da mesma época acabaram ficando conhecidos também por posicionamentos políticos ou ideológicos, o 14 Bis sempre me passou outra impressão. O foco deles parecia ser a composição, os arranjos, as harmonias e a busca por criar algo bonito. A música era o centro de tudo.
Existe um episódio que gosto de lembrar. Em um autógrafo, o Vermelho desenhou uma clave de sol. Para muita gente isso pode não significar nada, mas para mim representa exatamente o espírito da banda: antes de qualquer outra coisa, a música.
Sempre que vejo entrevistas do grupo, eles falam de influências musicais: música barroca, música clássica, jazz, The Beatles, Jimi Hendrix e tantos outros artistas que mudaram a história da música. Nunca tive a impressão de que precisavam definir sua identidade por discursos ou militância. A identidade deles estava nas canções.
Talvez seja justamente por isso que suas músicas envelheceram tão bem. Elas continuam emocionando porque foram construídas sobre melodias, harmonias e sentimentos, não sobre acontecimentos específicos de uma determinada época.
Se eu tivesse que escolher algumas músicas que representam o que mais admiro no 14 Bis, seriam (Observação some of them are other bands but almost same musicians):
- Carrousel – talvez uma das maiores demonstrações da riqueza harmônica da banda.
- Criaturas da Noite – intensa, poética e cheia de personalidade.
- Hey Amigo – Riff de baixo ganha destaque, pegada de rock classico.
- Céu de Santo Amaro – uma das interpretações de Bach mais emocionantes da música brasileira.
- Xadrez Chinês – bateria eletrica forte, teclado sintetizador cara do synthwave.
No fim das contas, o que mais admiro no 14 Bis é que eles parecem ter escolhido deixar a música falar por eles. Em uma época em que muitos artistas passaram a ser lembrados mais pelas opiniões do que pelas próprias obras, o 14 Bis continua sendo lembrado principalmente pelas suas composições.
É por isso que considero o 14 Bis uma das bandas mais elegantes da música brasileira. Não apenas pela qualidade técnica ou pelas harmonias sofisticadas, mas porque sempre transmitiram a sensação de que a música vinha antes de qualquer outra coisa. E, para mim, esse talvez seja o maior legado que um artista pode deixar.
O que me entristece é que essa banda não teve o reconhecimento merecido.
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