Raízes cruas do R&B e o salto psicodélico dos The Pretty Things

Raízes cruas do R&B e o salto psicodélico dos The Pretty Things

Como uma banda desleixada de R&B de Sidcup criou um dos álbuns mais ambiciosos dos anos 60 e continuou tropeçando para frente.


Os The Pretty Things não chegaram com um plano. Chegaram com um barulho. Em 1963, cinco adolescentes de Sidcup, Kent, pegaram um nome de uma música de Bo Diddley e começaram a tocar rhythm and blues com uma borda desleixada e agressiva que fazia seus colegas parecerem educados. As guitarras ficavam agudas. A bateria empurrava forte. Os vocais — a entrega rasgada, quase rosnante de Phil May — soavam como alguém que poderia realmente começar uma briga. Essa crudeza era o ponto. Mas a banda tinha mais de uma marcha, e o período entre 1965 e 1970 produziu algumas das músicas rock mais interessantes da época.

📋 Em Resumo

  • Estilo: R&B, rock, rock psicodélico
  • Anos de atividade: 1963–1971, 1971–1976, 1979–2020
  • Origem: Sidcup, Kent, Inglaterra
  • Era-chave: 1965–1970
  • Gravadora: Fontana, Columbia, Harvest, Swan Song

🎵 O Que Eram

Os Pretty Things começaram como uma banda britânica de R&B, mas nunca ficaram parados. Seus primeiros singles — 'Rosalyn', 'Don't Bring Me Down' — eram curtos, altos e construídos sobre uma seção rítmica que se encaixava firme enquanto a guitarra cortava com um tom fino e mordaz. Em 1968, eles escreveram S.F. Sorrow, um ciclo de canções sobre a vida de um personagem do nascimento à desilusão. Era ambicioso, estranho e comercialmente ignorado. Eles seguiram com Parachute, um disco mais enxuto e mais estranho que rendeu uma indicação ao Grammy. Depois passaram décadas tentando igualar esse auge, com resultados mistos.

📜 História

Formados em 1963, os Pretty Things fizeram parte da primeira onda do R&B britânico, tocando covers e originais com uma aspereza que os destacava. Lançaram dois álbuns em 1965, depois migraram para a psicodelia com Emotions (1967) e o marco S.F. Sorrow (1968).

Após uma breve separação em 1971, eles se reformaram e lançaram mais três álbuns antes de se separarem novamente. Uma segunda reunião em 1979 durou até 2020, produzindo alguns álbuns, incluindo o final Bare as Bone, Bright as Blood (2020). O catálogo da banda é irregular, mas o melhor dele tem peso real.


⚖️ O Caso Contra Eles

Os Pretty Things nunca encontraram um público consistente, e os motivos são claros. Seu trabalho inicial de R&B, embora enérgico, não era distinto o suficiente para se destacar de colegas mais conhecidos. Depois de S.F. Sorrow e Parachute, a qualidade caiu drasticamente.

Álbuns como Freeway Madness (1973) e Cross Talk (1980) soam como uma banda em busca de direção, com canções competentes mas esquecíveis. Os discos posteriores, embora ocasionalmente interessantes, raramente recuperaram a tensão do final dos anos 60.

ℹ️Apesar do catálogo irregular, o auge dos Pretty Things de 1965 a 1970 continua sendo um período de destaque na história do rock britânico.

🛠️ A Lacuna Entre o Cru e o Refinado

Os Pretty Things queriam ser duas coisas ao mesmo tempo: uma banda de rock crua baseada no blues e um ato ambicioso e progressivo. A tensão entre esses impulsos define seu melhor trabalho. S.F. Sorrow funciona porque a orquestração nunca suaviza completamente as arestas — a seção rítmica ainda empurra forte, e a voz de May ainda soa como se ele estivesse gritando do fundo de um pub.

Parachute tem sucesso ao reduzir a ambição e deixar as canções respirarem. Álbuns posteriores muitas vezes caíram na lacuna entre os dois polos, carecendo da crudeza dos primeiros anos e do foco do auge.

🥁 A Seção Rítmica

O som inicial dos Pretty Things dependia de uma seção rítmica firme. O baterista Viv Prince (e depois Skip Alan) tocava com um pulso constante e impulsionador que dava espaço para a guitarra cortar. As linhas de baixo, muitas vezes simples mas propulsivas, mantinham as canções em movimento sem desordem.

Em faixas como 'Don't Bring Me Down', a seção rítmica é o motor — todo o resto é decoração. Essa base continuou na era psicodélica, onde os arranjos se tornaram mais densos, mas o núcleo nunca perdeu seu movimento para frente.

🌟 Por que S.F. Sorrow Ainda Importa

S.F. Sorrow (1968) é o álbum que define o legado dos Pretty Things. Ele conta uma história linear — nascimento, amor, guerra, desilusão — através de uma mistura de rock, pop e passagens orquestrais. As músicas são conectadas por temas recorrentes, e a produção, de Norman Smith, dá ao disco uma qualidade espaçosa e levemente sinistra.

Ele antecede o Tommy dos Who em um ano e compartilha algum DNA com o Arthur dos Kinks, mas tem uma atmosfera mais sombria e íntima. O álbum vendeu mal na época, mas sua influência nos álbuns conceituais posteriores é difícil de ignorar.

🔍 Curiosidades

  • ✅ A banda tirou seu nome da música 'Pretty Thing' de Bo Diddley, de 1955, uma escolha que sinalizava suas raízes no R&B.
  • ✅ O estilo vocal de Phil May — uma mistura de rosnado, canto suave e teatralidade — era frequentemente comparado ao de Mick Jagger, mas a entrega de May era mais crua e menos polida.
  • ✅ S.F. Sorrow foi gravado no Abbey Road Studios enquanto os Beatles faziam The White Album, e as duas bandas ocasionalmente se cruzavam nos corredores.

📉 Onde o Catálogo Enfraquece

Após Parachute (1970), os Pretty Things entraram em um longo período de inconsistência. Freeway Madness (1973) e Silk Torpedo (1974) têm momentos, mas carecem do foco dos discos anteriores.

Os álbuns posteriores, de Cross Talk (1980) em diante, são principalmente para completistas. A banda nunca mais capturou a combinação de crueza e ambição que tornou seus melhores trabalhos tão cativantes.

⚠️Os álbuns posteriores geralmente carecem da crueza dos primeiros anos e do foco do auge — ouça com cautela se você não for um completista.

💭 Um Pensamento Final

Os Pretty Things não são uma banda da qual você precisa ouvir tudo. Mas o período de 1965 a 1970 — especialmente S.F. Sorrow e Parachute — contém música que recompensa a atenção. Eles nunca se sentiram completamente confortáveis em uma única direção, e esse desconforto produziu algo que vale a pena lembrar.


🎧 Faixas Essenciais

Don't Bring Me Down

Um exemplo perfeito do som inicial: uma seção rítmica firme, guitarra aguda e o vocal rasgado de May. A música é curta, direta e construída em um riff simples, mas eficaz.

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Rosalyn

Outro single inicial que mostra as raízes R&B da banda. A guitarra se mantém limpa e cortante, enquanto a bateria empurra forte. O arranjo é mínimo, deixando a energia conduzir a faixa.

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S.F. Sorrow Is Born 1968 - S.F. Sorrow

A faixa de abertura do álbum conceitual. Ela introduz os elementos orquestrais e a estrutura narrativa, mas a seção rítmica ainda impulsiona a música. O contraste entre o núcleo cru e os floreios arranjados define o álbum.

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Parachute 1970 - Parachute

A faixa-título do álbum mais focado da banda. O arranjo é mais enxuto que em S.F. Sorrow, com uma ênfase mais forte na melodia e na dinâmica. A música mostra a banda no seu estado mais disciplinado.

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Honey I Need

Um single do Top 20 que captura a transição da banda do puro R&B para um som mais influenciado pelo pop. O vocal ainda é cru, mas o refrão é mais pegajoso e a produção é mais limpa.

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📚 Fontes

The Pretty Things Wikipedia

Discografia MusicBrainz

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